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A Vila Industrial surgiu como um bairro proletário
no final do século XIX, diretamente associado
a instalação das Companhias de Estrada
de Ferro Paulista (1872) e Mogiana (1874). Localizada
em uma área ocupada originalmente por um conjunto
de cemitérios ao lado dos trilhos da Companhia
Paulista de Estrada de Ferro, a vila marcou o surgimento
do primeiro bairro de trabalhadores da cidade. Nas origens
desta ocupação, instalaram-se prédios
da imigração (entre as atuais ruas Sales
de Oliveira e Pereira Lima) - prédios que seriam
utilizados pela companhia Mac Hardy e posteriormente
pela Companhia Mogiana-; além da construção
de vários conjuntos de casas para os funcionários
da Paulista (de propriedade desta Companhia).
No final do século XIX, a região passou
também a receber outras instituições
como o Matadouro Municipal, a Companhia Curtidora Campineira
de Calçados (1890), o Cortume Campineiro, o Lazareto
dos Morféticos, o Lazareto dos Varilosos e a
Indústria Fabril, de propriedade de Antonio Correa
de Lemos, e no início do século XX, o
Cortume Cantusio (1911), o túnel de ligação
entre a Vila Industrial e o centro (1915), além
da transformação de vários edifícios
em oficinas da Companhia Mogiana. Datam das duas primeiras
décadas do século, ainda, a construção
(pela iniciativa privada) das travessas Manoel Dias
(1908) e Travessa Manoel Freire (1918) para venda aos
ferroviários da Companhia Mogiana.
Sediadas nas proximidades dos trilhos de trem, estas
inúmeras instituições e moradias
de trabalhadores acabaram por modificar uma paisagem
originalmente caracterizada por habitações
esparsas e caminhos rurais, instaurando-se, pouco a
pouco, uma dinâmica muito específica de
desenvolvimento. De maneira particular, o Matadouro
e o Cortume (e não apenas as Companhias Paulista
e Mogiana) foram capazes de transformar esta paisagem
ao impor uma nova dinâmica ao antigo caminho de
boiadas (na atual Salles de Oliveira). No curso da primeira
metade do século XX, enfim, surgiram outras fábricas
e empresas, como as Fábricas de Seda, além
de conjuntos de casas de trabalhadores associados aos
breves surtos de industrialização vividos
pela cidade, como a Vila Tofanello (antigo Furasóio),
a Vila Stanislau, a Vila Getúlio Vargas, ou ainda,
a Vila Genny.
Sempre caracterizado como um bairro de trabalhadores
, a vila Industrial - no passado conhecida como bucheiro
(pela sua proximidade do cortume) - desenvolveu também
uma forte identidade cultural e viu nascer equipamentos
específicos de lazer e cultura, como o Grêmio
Recreativo Campinas, os blocos carnavalescos do
boi, do jacaré, do azul
e branco ou as tradições do corso,
sedimentando-se, pouco a pouco, tradições
musicais, artísticas e culturais próprias.
Em sua trajetória urbanística, o bairro
evoluiu no sentido leste-oeste e seguiu o mesmo traçado
urbano (em forma de tabuleiro de xadrez) já utilizado
na cidade de Campinas desde sua origem. A Vila Manoel
Freire será reconstruída para moradias
populares através de um projeto da Caixa Econômica
Federal.
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