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Fazenda Jambeiro

A Fazenda Jambeiro integra a história rural de Campinas, fazendo parte de uma sesmaria adquirida pelo ituano tenente José Rodrigues Ferraz do Amaral. Esta sesmaria, conhecida como latifúndio "Sete Quedas", recebeu novas terras em 1803, 1807 e 1816, nele se instalando lavouras de cana e engenhos de produção de açúcar.

A vastidão deste latifúndio permitiu, nas décadas seguintes, a divisão em várias fazendas, entre elas: a Sete Quedas, Cachoeira, Pedra Branca e Jambeiro, todas de descendência da família Amaral. A primeira proprietária, no sentido da abertura e formação do Sítio Jambeiro (depois Fazenda Jambeiro), foi Thereza Miquelina do Amaral Pompeu de Camargo, produtora agrícola de cana e de café que tinha suas atividades centralizadas na Fazenda Cachoeira. A Jambeiro, neste caso, integrou um conjunto mais amplo de fazendas, constituindo-se um marco na história do café na região de Campinas do século XIX.

Adquirida por Herculano Pompeu de Camargo, em 1885, com 90 mil pés de café em terra de massapé vermelha, a fazenda recebeu uma nova e sofisticada sede, construída pelo Escritório do célebre engenheiro e arquiteto Ramos de Azevedo. Na ocasião, a sede foi dotada de serviços recém-inaugurados na cidade, como telefonia, luz de gás acetileno, rede de esgoto e água encanada, requintes só oferecidos aos moradores abastados da região. A data da inauguração da casa encontra-se registrada em uma das placas de bronze no piso térreo: 1897. Além da sede, a fazenda preservou durante muito tempo as estruturas de produção originais, restando até há alguns anos "pedaços da senzala, do galpão de beneficiamento, da estufa, do terreiro atijolado de café com seus canais de lavagem, das construções de tijolos tais como sua sofisticada sede e a casa do administrador".

A casa contava, no nível térreo, com quartos para empregados, serviços e guardados e, no andar superior, para moradia de seus proprietários, 6 dormitórios, 2 quartos de banho, 3 salas, ala de cozinha e ambientes diversos iluminados por fartas janelas e 2 grandes varandas. O piso interno dos dormitórios e salas receberam um acabamento em "tábua corrida", formando painéis trabalhados em madeira clara e escura (peroba e canela). O madeiramento do teto, os batentes e caixilhos das janelas e portas eram de pinho de riga. Um medalhão entalhado em madeira foi colado no teto da lareira, considerada a principal; os tijolos foram assentados com terra e saibro, possuindo paredes com indícios de decoração; tubulações abaixo do piso; telhas francesas de Marselha com madeiramento, provavelmente, de pinho de riga. Nas varandas e nos banheiros constavam paredes revestidas com azulejo português e piso de ladrilho hidráulico.

Eram ricos os ornamentos da fachada, o gradil da varanda e a escada, o arremate decorativo das platibandas no exterior do edifício; os coletores e calhas de cobre, além de vidros importados (alguns com trabalhos de jato de areia), deixando-nos mostras de um requinte inesperado para uma residência rural dotada de mobiliário, concepção de projeto e materiais construtivos europeus.

No curso das décadas, a Fazenda foi adquirida por outros proprietários que a tornaram uma propriedade mais diversificada (produtora, inclusive, de algodão entre as décadas de 1930 e 1940), realizando-se também algumas reformas na área envoltória, como a construção de uma piscina. A sua última venda se daria em 1947 para Maria de Lourdes da Silva Prado, ocasião em que seriam acrescentados jardins com gradis de cimento e uma capela, além de alterações na varanda central, com a retirada da escadaria central. Em 1976, com o falecimento da proprietária, a fazenda seria passada por herança aos seus descendentes que, em 1979, a transformariam em loteamento, seguindo-se um percurso de depredações que levariam a sede à ruína.

A Fazenda Jambeiro, na atualidade, será transformada em um espaço de estudo, buscando-se conhecer através de sua trajetória, um pouco mais das relações sociais, econômicas e culturais construídas na fronteira do mundo rural e urbano de Campinas. No aspecto ambiental, será buscada também a preservação de uma nascente que abastece o córrego Serra D'Água, um afluente do rio Capivari.

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