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Cães terapeutas trabalham na recuperação de pacientes no Mário Gatti


01/10/2012 - 13:23




 

Juliana Perrenoud


 

Aos sete anos Tequila, ou Teka, como é carinhosamente chamada, tem responsabilidades de gente grande. Desde o ano passado, ela é uma das voluntárias que visita todas as quartas-feiras as crianças da pediatria do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti. Acompanhada de três colegas - Pitty, Napoleão e Batata -, sua missão é levar alegria e fazer, por alguns momentos, com que os problemas dos pequenos pacientes no hospital sejam esquecidos.


 

Tequila, Pitty, Napoleão e Batata são cães terapeutas voluntários do Instituto para Atividades, Terapia e Educação Assistida por Animais de Campinas (Ateac) e, além dos trabalhos no Mário Gatti, percorrem os hospitais Ouro Verde; de Clínicas da Unicamp; Corsini, além de instituições como a Associação para o desenvolvimento dos Autistas de Campinas (Adacamp ) e o Centro de Vivência Infantil – Prefeitura de Campinas (Cevi). São mais de 800 pessoas atendidas por mês.


 

O trabalho, que pode parecer brincadeira para quem vê os cachorros passando pela porta de entrada de visitas e interagindo com todos, tem fundamento científico e é bastante sério. A presidente da instituição, Ylenise Marcolino, conta que a ideia surgiu quando a fundadora percebeu que seu filho, que era autista, melhorou em muito seu relacionamento com as pessoas a partir da vinda de uma cadela da raça labrador em sua casa. “Ela iniciou suas pesquisas e descobriu que os cães terapeutas são usados em muitos países no auxílio para a recuperação de várias doenças”, conta.


 

Para isso, os animais passam por inúmeros treinamentos antes de começarem as visitas. “Os cães terapeutas passam por provas para serem admitidos na atividade. Costumo dizer que um cão terapeuta já nasce pronto. Ele deve ter postura dócil, precisa gostar mais de pessoas que de outros animais e tolerar agressão sem ter comportamento agressivo”, conta o veterinário do grupo, Fábio Nakabashi. Para ele, não há uma raça ideal, mas não são recomendados cães de guardas. “Eles assustam e a inteiração fica mais difícil”, diz.


 

Para as visitas aos hospitais e instituições, os cães são higienizados. Além do banho, antes de entrar nos quartos eles têm patas, focinhos e órgãos genitais higienizados. “É preciso que eles estejam completamente livres de impurezas para as visitas aos leitos.” Após esse “banho de gato”, é hora da visita.


 

Alegria


 

Ao avistar Teka, imponente golden retriever caramelo, apontando no corredor, a pequena Ester de Jesus Feitor, de 4 anos, corre eufórica para o quarto. Mas, ao contrário do que alguns possam pensar, ela não foge de medo do cachorro. O motivo é outro. “Mamãe, mamãe, tem um cachorro aqui no hospital!”, conta. A mãe parece não acreditar nas palavras da menina e vem conferir. “Nossa, que grandona”, espanta-se Luciene. E logo incentiva a filha, encorajada pelos voluntários: “pode passar a mão”. Mas Ester está mais interessada no poodle – Batata -, que passa a carregar no colo. Com os braços enfaixados, a menina se esqueceu das queimaduras que a manteve mais do que cinco dias em tratamento no Mário Gatti.


 

Wendell Pinto, também 4 anos, acaba de acordar e parece não entender muito bem o que se passa. Aos poucos, reúne-se em volta do york shire, Pitty, que divide sua atenção com Maria Eduarda Rodrigues, 9 anos.


 

Napoleão, um vira-lata de um ano e meio, pula desajeitado na cama de Joílson Figueiredo de Carvalho, de 14 anos. “Adoro cachorro, principalmente grande. Também tenho um vira-lata em casa, estou com saudades dele”, conta o garoto, que esteve no hospital se recuperando de uma cirurgia oftalmológica.


 

Nem parece que estamos no hospital”, comenta a mãe de Duda. E é assim durante as quase duas horas em que os cães permanecem na pediatria. O ambiente de hospital desaparece. Sobram carinhos e abraços para os animais, que retribuem na mesma moeda.


 

Para se voluntariar


 

A Ateac precisa de todos os tipos de voluntários. “Se um contador quiser fazer a contabilidade do grupo, será bem vindo. Assim como um cão, que não precisa estar acompanhado de seu dono, e um dono que não tenha cães. Todos podem nos ajudar. Além disso, a ajuda financeira é importante para ajudarmos a manter os trabalhos.”


 

Para se voluntariar, basta fazer cadastrar no site da ONG www.ateac.org.br. Lá também estão disponíveis mais informações sobre o grupo e outras formas de colaborar com a causa.

Crédito: Divulgação

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Crédito: Zeca Filho

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Crédito: Zeca Filho