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Robótica aliada às disciplinas curriculares facilita aprendizado


18/09/2012 - 13:06




 

Ingrid Vogl

 

O que é um robô e o que é robótica? As perguntas instigaram os alunos do 5º ano logo no primeiro dia das ações em sala de aula do projeto de pesquisa “Robótica em Sala de Aula”, desenvolvido em parceria por alunos e professores da Unicamp e da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Professora Elza Maria Pellegrini de Aguiar

 

A partir das perguntas feitas em março de 2012 pela professora da turma, Gisele Flávia Alves Oliveira Giachetto, os alunos produziram textos e criaram figuras que formaram um painel com as impressões das crianças de 10 e 11 anos sobre o assunto.

 

Foi o início de descobertas e um aprendizado rico e prático de como a robótica pode fazer parte do cotidiano escolar para facilitar o ensino de todos os componentes curriculares: desde matemática, ciência, português, passando por artes, história, geografia. E mais: como esta ciência pode ser essencial para o desenvolvimento da sociedade e importante para várias áreas, como a sustentabilidade do planeta e o despertar da ética e da cidadania entre os alunos.

 

A escola de ensino fundamental que fica no Parque Dom Pedro II, região Sul de Campinas, possui projetos em parceria com a Unicamp desde 2010, quando foi implantado na Emef o “Um Computador por Aluno” (UCA), que disponibiliza laptops para os cerca de 500 alunos em atividades que auxiliam o ensino-aprendizagem em sala de aula. Na universidade, o UCA é monitorado e orientado pelo professor José Valente, do Núcleo de Informática Aplicada à Educação (NIED).

 

De lá pra cá, a tecnologia em sala de aula foi incorporada ao dia a dia das crianças e dos professores. Hoje, o trabalho com os laptops ganhou um aliado e foi aprimorado com a inserção da robótica no currículo escolar a partir deste ano. O projeto de pesquisa mais recente é um trabalho de mestrado de alunos de engenharia elétrica, artes e mecatrônica, orientados pelo professor João Vilhete, da Unicamp. Os alunos de mestrado Bruno Bastos, Paulo Vilas Boas, Fernando Ortolano e Henqrique Souza formam o grupo que semanalmente atua junto com os professores da Emef e os estudantes nas aulas de robótica.

 

Apoio total

 

Para o desenvolvimento do projeto, a equipe pedagógica da escola“abraçou a causa” e deu todo o apoio ao trabalho, inclusive adquirindo kits de robótica que são montados, desmontados e trabalhados incansavelmente por 30 alunos de cada vez. A ideia é que o projeto de robótica tenha a possibilidade de ser ampliado para toda a rede municipal de ensino.

 

As aulas aliam o computador e a robótica, sempre dentro do contexto escolar, integrando a ferramenta tecnológica aos conteúdos de todas as disciplinas. Segundo Bruno Bastos, antes da aplicação do projeto com os estudantes do 5º ano foi feito um projeto piloto em 2011 com os alunos monitores do UCA (alunos que ajudam os professores em sala de aula com o uso dos laptops).

 

A robótica é mais um recurso em sala de aula que usa, por exemplo, a mecânica, o funcionamento de rodas, contextos de menor e maior, a lógica. Os alunos tem a oportunidade de ver todas as etapas da montagem dos equipamentos, nada é abstrato. Assim o aprendizado é mais detalhado e a crianças tem mais segurança e interesse e aprendem de forma mais criativa”, definiu Bruno Bastos.

 

Iniciado pra valer em março deste ano, o projeto foi desenvolvido no primeiro semestre com a turma do 5º ano A e no segundo semestre, está sendo trabalhado com os alunos do 5 º ano B. As aulas de robótica são sempre às sextas-feiras e acompanhadas dos alunos mestrandos da Unicamp, que orientam as crianças nas atividades práticas.

 

Aulas

 

Manhã de sexta-feira. O burburinho na sala de aula do 5º ano B da Emef Profa. Elza Maria Pellegrini de Aguiar, onde as crianças se dividem em cinco grupos e se debruçam em um trabalho de paciência e raciocínio sobre peças de montagem, denuncia que a aula é sobre robótica. No último semestre de 2012 está sendo trabalhada a montagem do carrinho robô, onde os alunos aprendem sobre programação – em nível adequado para a idade- no software Scratch, com o qual as crianças podem trabalhar com recursos de audio, imagem e é de fácil manipulação.

 

Júlia Sousa Gomes, 11 anos, “quebra a cabeça” pra montar o pequeno e colorido robô junto com colegas. “Está difícil!” Anunciou a menina, colocando e tirando peças do equipamento. Empolgada, a estudante disse adorar as aulas e já aprendeu sobre rodas, roldanas, ondas elétricas e o que mais gosta: robôs que ajudam o meio ambiente. “A robótica tem tudo a ver com todas as matérias que aprendemos aqui”, contou, comemorando naquele momento o encaixe correto das peças.

 

Empenhado em montar o robô, o grupo de Alefe Menas Mazano, 11 anos e Samir Pinheiro Silva, 10 anos, logo entende a engrenagem e consegue resolver a equação prática. “Aprendemos como são as ferramentas, como a roldana, trava, engrenagem. Eu tinha uma ideia de como era a robótica, mas nunca imaginei aprender tão cedo sobre isso”, disse o animado Alefe Mazano.

 

A professora da turma, Valéria Alves dos Santos Salgado, visualiza nitidamente o gosto pelos estudos e pelo saber que a robótica despertou nos alunos. “Eles gostam das novidades em sala de aula e aproveitam ao máximo. Após cada aula de robótica, as crianças fazem um relatório de tudo o que foi feito e sobre o que aprenderam. Assim, trabalhamos a língua portuguesa e divulgamos e valorizamos as atividades também no blog da escola”, explicou a professora.

 

No blog, aliás, os alunos continuam a usar ferramentas da robótica para estudar e divulgar os trabalhos por meio do Scratch, o programa de animação muito utilizado pelas crianças. O blog pode ser conferido pelo endereço: emefelza2010.blogspot.com.br

 

Resultados

 

Para a professora Gisele Flávia Alves Oliveira Giachetto, responsável pela turma do 5º ano A, os quatro meses em que a robótica foi tratada com os alunos em sala de aula foram suficientes para provar que o projeto deu certo. “Nas aulas de robótica, as crianças se interessaram e se envolveram. Pra mim, o resultado mais importante é que os estudantes conseguiram relacionar o conteúdo tratado em sala de aula com a robótica”, analisou Gisele Giachetto, que como a colega Valéria Salgado, pedia aos alunos uma apresentação dos trabalhos no fim de cada aula de robótica.

 

A professora garante que o projeto tem continuidade em sala de aula, mesmo que s alunos não estejam mais manipulando os pequenos robôs neste segundo semestre. “A reflexão nos ensinamentos e a integração da robótica às disciplinas continuam, principalmente com o uso do programa Scratch em ouras atividades com o laptop. Hoje percebo as crianças mais interessadas e estimuladas. Os kits trabalham com a lógica, a criatividade. Robótica é pura problematização”, definiu a professora.

 

Que o diga Bruna Lousado de Paula, 10 anos, que com os ensinamentos da robótica, aprendeu também a ter mais paciência e a trabalhar em grupo. “As peças dos robôs são dividias em grupos e temos que esperar nossa vez para trabalhar com o kit. Acho que a relação com os colegas melhorou. Sempre que vamos trabalhar em grupo, dividimos as tarefas”, aprendeu a menina.

 

Saudosa das aulas de robótica do primeiro semestre, Maria Eduarda Fernanda Alves, 10 anos, gosta de trabalhar com o Scratch para aprender mais sobre programação. “É um programa fácil, criativo aonde podemos fazer animações e controlar sensores, comandos de luz, por exemplo. Um dia o professor João (Vilhete) trouxe um motor para a sala de aula para ensinar sobre o sinal maior e o menor. Foi muito mais fácil aprender matemática”, disse.

 

Após o contato com a robótica em sala de aula, Leonardo Isaac Fernandes Cunha já sabe que carreira seguir no futuro. “Quero ser cientista para fazer coisas novas e construir meu próprio robô e fazer com que ele ande”, definiu.

 

As aulas do projeto também nortearam a escolha de Gabrielle Sudre Caincuíba, tanto profissional, quanto como exemplo de vida. “A robótica me ajudou a decidir que quero fazer pedagogia na Unicamp, porque pra mim, os professores João e Gisele me inspiraram e são meu exemplo”, disse a esperta menina.

 

Para a professora Gisele Giachetto, o projeto “Robótica em Sala de Aula” é uma grande descoberta também para os professores envolvidos. “Precisamos constantemente buscar mais informações para lidar com o assunto em sala de aula. A robótica é fascinante”, definiu.

 

Com uma equipe empenhada em desenvolver ações e projetos que levam a uma educação de qualidade e parceiros renomados como a Unicamp, a Emef conquistou incríveis 6,2 pontos nas turmas de 5º ano, segundo divulgação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) e 5,2 pontos no 9º ano, superando – muito- as metas individuais da escola para 2011, que eram 5,6 e 4,4 respectivamente.

 

Os números também ultrapassam a nota que o IDEB estipulou para o município de Campinas no ano passado, que foi de 5,3 para os anos iniciais e 4,4 nos anos finais. Este é um indicativo de que ali, os alunos aprendem com prazer e a escola pública pode sim ter qualidade com inovação e criatividade.

Crédito: Foto: Carlos Bassan

Crédito: Foto: Carlos Bassan

Crédito: Foto: Carlos Bassan

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