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Implosão da antiga rodoviária abre caminho para recuperação do Centro


28/03/2010 - 17:19




Tiago de Souza e Denise Pereira

 

Mais um capítulo da revitalização do Centro que vem sendo realizada pela Prefeitura foi escrito na manhã deste domingo, dia 28 de março. Em apenas três segundos todo o prédio da antiga rodoviária e de um esqueleto anexo e abandonado há mais de 40 anos, foram colocados no chão após a detonação de 200 toneladas de explosivos.

 

A implosão dos prédios, é mais uma ação integrada da operação Tolerância Zero, e faz parte do projeto de recuperação da área central de Campinas. Diversas intervenções urbanísticas já foram realizadas neste sentido na região, como a inauguração do Terminal Rodoviário Ramos de Azevedo, a entrega do Túnel Joá Penteado e a implantação de estações de transferência de passageiros do sistema de transporte coletivo. O projeto prevê,ainda, o pátio ferroviário, ligando o Centro a Viracopos, e a estação do Trem de Alta Velocidade (TAV).

 

Esse ato simbólico da demolição de um prédio já ultrapassado é mais um passo que damos para que o Centro da cidade recupere a beleza de outras épocas, e a população se sinta cada vez mais segura ao circular pela região”, disse o prefeito Hélio de Oliveira Santos, que esteve presente nas proximidades da velha rodoviária para acompanhar a implosão.

 

Desde as 22h do sábado a Prefeitura, a Defesa Civil e da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC)já iniciavam os preparativos para a ação, com a evacuação de todos os imóveis do entorno e interdição de ruas. No começo da manhã deste domingo, vistorias finais foram feitas no prédio da antiga rodoviária.

 

Pontualmente às 11 Dr. Hélio - acompanhado pelos secretários de Assuntos Jurídicos e coordenador do Comitê Gestor de Fiscalização Integrada (Cofisc), que integra as ações da Tolerância Zero,Carlos Henrique Pinto, e pelo secretário de Transportes, Gérson Bittencourt - apertou o detonador posicionado pela empresa DTI Implosões na Avenida Andrade Neves, esquina com a rua Mascarenhas, que colocou abaixo as estruturas que, juntas, somam mais de 8 mil metros quadrados.

 

Segundo o secretário de Assuntos Jurídicos e coordenador do Cofisc, o método de implosão é o mais vantajoso e mais barato. “Esta ação também é da operação Tolerância Zero, justamente por eliminar um espaço degradado e transformar a área, que é nobre e privilegiada”.

 

Logo após a demolição, o Departamento de Limpeza Urbana (DLU) iniciou a retirada do material resultante do trabalho e as ruas de todo entorno foram liberadas pela EMDEC menos de duas horas depois da detonação.

 

Segundo o secretário de Serviços Públicos, Flávio de Senço, a expectativa da Administração é que 500 caminhões de entulho sejam retirados nos próximos dois meses. As mais de 12 mil toneladas de entulho geradas serão encaminhadas à Unidade Recicladora de Materiais da Prefeitura, localizada próxima ao Delta A. Lá serão processadas e reutilizadas como material de construção em obras municipais.

 

Implosão

 

Esta primeira implosão de prédio na cidade movimentou, em todo o processo, cerca de 300 pessoas – da Prefeitura, das concessionárias, das polícias Militar, Civil e do Corpo de Bombeiros.A ação demandou, segundo o representante da CDI Implosões, Manoel Jorge Dias, a utilização de 200 quilos de dinamite, distribuídos em 700 pontos de detonação dentro dos prédios.

 

A implosão custou R$ 480 mil, divididos entre a Prefeitura e a Maternidade de Campinas, já que parte da construção,(o esqueleto) pertence ao Município desde o final de 2009, quando foi desapropriado, por abandono há mais de 40 anos e pelo mal uso que a estrutura vinha tendo, colaborando para a degradação da área.

 

De acordo com Carlos Henrique, aquela área tem um grande potencial construtivo e é muito importante. A Administração pretende repassar para a Maternidade, pelo critério de melhor oferta o terreno onde ficava a construção abandonada, eliminando a dívida de cerca de R$ 7 milhões que tem com a instituição, em um encontro de contas devido à quebra de contrato por ocasião da construção da nova rodoviária em julho de 2008.“No total, eram R$ 13 milhões, mas de lá para cátemos pago mensalmente por volta de R$ 500 mil. Com isso, a Prefeitura quita sua dívida”, explicou o secretário.

 

Empresa

 

A CDI Implosões, responsável pelo trabalho, é uma empresa especializada em demolições de prédios, que realizou a implosão dos presídios Carandiru, em São Paulo, e da Ilha Grande, no Rio de Janeiro; do hangar da TAM que foi destruído por um acidente aéreo em julho de 2007, e do edifício Palace II, que desmoronou no Rio de Janeiro, entre outros prédios e construções.

 

Transmissão

 

Na hora e dia marcados, a velha rodoviária, instalada no quadrilátero formado pelas avenidas Andrade Neves, Barão de Itapura, e ruas Barão de Parnaíba e Marquês de Três Rios, desapareceu da paisagem de Campinas.

 

Na sede da EMDEC, mais de 70 pessoas entre , colaboradores e moradores da região que tiveram que deixar suas casas no período da implosão, aguardavam com ansiedadeo momento da implosão. Muita gente veio de longe e chegou cedo, com mais de uma hora de antecedência. Mas a maioria não ligou para a espera, já que a implosão estava agendada para ocorrer às 11 horas.

 

Opiniões

 

José Ricardo Moreira, securitário, trouxe a esposa, Adriana Moreira; e os filhos Alfredo e Alexandre. “Viemos do Jardim Campos Elíseos incentivados pelo meu filho, de 14 anos, Alfredo, que acompanhou durante toda a semana essa notícia na imprensa”, contou.

 

Adriana, a esposa, complementou que trocaram um churrasco pelas imagens da implosão da Rodoviária. “Foi emocionante, declarou Alfredo, ao final da exibição. “Só faltou mesmo o barulho, pois o resto foi perfeito”.

 

Também a pedido do filho, Edivaldo Rodrigues Cordeiro, técnico em química, ocupou a primeira fila, em frente ao telão. “Trouxe o Mário Vinicius, 11anos,porque ele queriacontar para os amigos que assistiu à demolição. Já a moradora da Rua Marques de Três Rios, via lateral ao prédio da velha rodoviária, Juliana Cristina Marciano, 29 anos, conta que deixou sua casa às 9h, quando houve o corte de energia para a implosão.

 

Esse é um fato que não acontece todo dia. Estou acostumada a sair de casa e aencarar a velha rodoviária todos os dias.Quando eu voltar para a casa, aquela imagem não existirá mais. Acredito que essa implosão vai trazer melhorias para quem mora nessa região,” destacou.

 

Gilberto Topinel, do Jardim Garcia, contou que veio para fotografar. “Quero uma lembrança desse momento, porque trabalhei na rodoviária velha. Esse é um momento de despedida para mim”, comentou.

 

Ao contrário da maioria dos presentes Ana Maria Manoel, aposentada, já havia acompanhado outra implosão em São Paulo. “Achei fantástico a queda da velha rodoviária”, disse animada. “Aconteceu no horário certo e valeu a pena estar aqui para assistir.”

 

Ela lembrou que, há muitos anos, assistiu a demolição de um prédio em São Paulo, o Mendes Caldeira. “Não sei precisar, mas acredito que faz bem mais de 20 anos e a emoção, agora, foi a mesma”.

 

O aposentado Nelson Pretori, 74 anos, morador do Parque Via Norte, disse que saiu cedo de casa. “Queria muito vero prédio cair em 3 segundos, pois essa não é uma imagem comum”, afirmou.

 

Trânsito

 

De acordo com a Central de Controle Operacional da EMDEC, durante o período da implosão, foi registrado trânsito lento apenas na Avenida Andrade Neves, entre as ruas Itália e Delfino Cintra, com extensão de 350 metros. A lentidão foi no período das 11h13 às 11h23.

 

Já os bloqueios efetivados no perímetro de segurança foram liberados 10 minutos após a demolição. Apenas as vias que formam o quarteirão da velha rodoviária permaneceram bloqueadas para a limpeza.

 

 

Crédito: Luiz Granzotto

Crédito: Luiz Granzotto

Crédito: Luiz Granzotto

Crédito: Luiz Granzotto

Crédito: Luiz Granzoto

Crédito: Luiz Granzoto

Crédito: Valeria Abras

Crédito: Valeria Abras