Alunos assistem show de grupo que estreou na época da ditadura

Um palco montado em uma das plataformas da Estação Cultura recebeu este mês um show especial. Alunos da rede municipal de ensino assistiram, ao lado de um cenário com vagões e ao ar livre, à apresentação do grupo de música popular brasileira ‘MPB4’, que nasceu da década de 60. A iniciativa é resultado de uma parceria da Prefeitura de Campinas, por meio da Secretaria Municipal de Educação (SME), com a Petrobrás.

Com o nome de Oficina Cultural, o evento objetivou difundir valores de cidadania e promover a democratização da cultura com música brasileira de qualidade, estimulando o censo crítico e a formação de novas platéias. Além disso, proporcionou o encontro entre gerações, já que o perfil dos alunos era de idade em torno de 13 e 14 anos.

Nos dias de apresentação, o grupo foi bem recebido pela platéia e prendeu a atenção dos alunos com explicações sobre a Música Popular Brasileira (MPB) e sobre a Bossa Nova, além de apresentar várias canções desconhecidas pela maioria dos presentes.

Márcia Gomes Silva, diretora da Escola Municipal de Educação Fundamental (Emef) Doutor João Alves dos Santos, explica o motivo da escolha de levar os alunos a um show de música brasileira. "Antes de trazermos os alunos, orientamos as professoras a perguntarem a eles o que era MPB. A maioria não sabia e acabou conhecendo aqui. Também considerei a experiência muito construtiva, sou fã do grupo e assisti-los só aumentou meu gosto pela música", afirma a diretora.

Aquiles Rique Reis, um dos integrantes do MPB4 - grupo que existe há mais de 40 anos - disse que essa foi uma experiência nova também para eles. "Nós nunca tínhamos tocado para um público composto exclusivamente de jovens do ensino fundamental e, no começo, ficamos até com receio da recepção deles. Foi como uma estréia na carreira, algo totalmente novo e foi maravilhoso", conta.

Outro integrante afirma que o grupo aprovou o projeto. "Os alunos ficaram comportados e prestaram atenção, o que mostrou um exemplo de cidadania. Este é um projeto que tem que rodar o Brasil", relata Dalmo Medeiros.

A professora de educação infantil Maria Lúcia Bachiega, que auxiliou o projeto junto ao Departamento Pedagógico da Prefeitura, complementa que "alguns alunos, mesmo poucos, conheciam MPB, mas não conheciam este grupo, que faz parte da história da música. Além disso, este projeto é inovador, pois geralmente são feitos passeios a cinemas e teatros, mas não para um show de música brasileira", diz.

A aluna Tamires Aparecida Nicolau, de 14 anos, estuda na 7ª série da Emef Silva Simões Magro, e assistiu a apresentação no dia de estréia. Ela, que estava acompanhada de duas amigas, conta que a experiência foi ótima. "Gostei muito de vir aqui porque eu adoro música. Me deixa alegre e me faz lembrar de momentos que vivi. Gostei também do passeio, de sair da escola e conhecer gente nova", afirma.

MPB4

Em 1962 nasceu o grupo, inicialmente um trio, para fazer suporte musical do Centro Popular de Cultura da Universidade Federal Fluminese (CPC). Em 1963, com quatro integrantes, formaram o Quarteto do CPC.

Já em 1964, foi batizado pelos integrantes de MPB4. Este foi o ano em que a ditadura militar começou no Brasil. Também em 1964, o grupo gravou seu primeiro disco.

A partir dos anos seguintes, o grupo se apresentou em emissoras de TV, participou de festivais de música, conheceu ícones da MPB, como Chico Buarque, com quem se apresentou em Portugal em 1972 e em Buenos Aires em 1973.

Em 1975, o grupo foi vetado pela censura, após cinco apresentações de "MPB4 na República do Peru". Este era um espetáculo teatral com roteiro escrito pelos seus integrantes, em parceria com Chico Buarque e Antônio Pedro.

Ao longo da carreira, o MPB4 gravou músicas de autoria própria e obras de outros artistas, como Dorival Caymmi, Tom Jobim, Milton Nascimento, Chico Buarque, Vinícius de Moraes, Djavan, Toquinho & Vinícius e Ary Barroso, entre outros. De 1964 até os dias de hoje, o grupo gravou, 23 LP’s (discos) e 9 CD’s, além de participações em quatro obras de outros artistas.

 

Andressa Vilela